Combata seus medos com a hipnose, saiba como

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O medo, basicamente, é um instinto de preservação, que impede as criaturas de colocar em risco a sua integridade. É uma reação emocional, que se manifesta com força, e que atinge o sistema simpático. Existe um dado bastante curioso acerca do modo como o organismo reage diante de situações que envolvem medo e susto. Imagine duas situações: na primeira, um homem está caminhando numa mata, quando, de repente, avista um animal selvagem, uma onça, por exemplo, e toma um susto. Na situação número dois, uma pessoa está andando numa rua que está vazia. De repente, outra pessoa, que estava vindo atrás, e que não foi percebida pela primeira pessoa, toca-a no ombro- para pedir uma informação ou para comunicar qualquer outra coisa, e o nosso amigo da história toma, igualmente, um susto. Em ambas as situações, a reação orgânica é idêntica. Na primeira, havia um perigo real, na segunda não havia perigo algum, foi apenas um susto provocado por um evento inesperado.

O medo, portanto, é causado por razões objetivas e subjetivas. Manifesta-se diante de perigos presentes ou pela ansiedade diante de eventos futuros.

Todo mundo tem algum medo, já teve ou terá. É algo natural. Quando se manifesta com muita frequência ou é forte demais, sinaliza que algo não vai bem e que é hora de se tomar uma atitude: buscar ajuda, através de algum tipo de terapia, porque viver com medo, sobressaltado, não é algo positivo. Faz mal, na medida em que não é um alarme natural, um instinto que irá preservar. Torna-se, assim, algo destrutivo, porque nos deixa impotentes. Faz com que passemos a tomar cuidados excessivos e desnecessários. Faz com que criemos uma bolha que acaba nos separando da vida, evitando interações e vivências que enriqueceriam nossa existência, afetando, desse modo, a qualidade de vida de qualquer pessoa.  O medo, por vezes, é incontrolável, e precisamos de uma ajuda externa.

A hipnose pode ser uma ajuda de grande valia para se combater os medos.

Na hipnoterapia, o paciente entra em transe, que não é um torpor, mas um estado profundo de relaxamento, que nos permite uma consciência maior, um estado no qual podemos raciocinar melhor, libertos das correntes do medo, do preconceito, dos estereótipos, das ilusões. Nesse estado, relaxados, com calma, nossa mente se abre. Um momento como esse é o ideal para que o terapeuta possa agir. É quando ele sugere comportamentos que serão capazes de modificar a maneira como nossa mente responde aos estímulos que nos provocam o medo. É uma reprogramação, que irá retirar toda a ansiedade e angústia que uma pessoa sente com o medo, por exemplo, de trovoadas numa tempestade. Ou com o medo do escuro. O terapeuta irá sugerir, mostrando ao mesmo tempo, para a pessoa, que uma trovoada é apenas o som dos raios atravessando o ar e que esse som, por mais assustador que possa ser, não tem a capacidade de provocar qualquer dano físico. O mesmo se dá com o escuro, que é, talvez, o mais antigo dos medos. É apenas a ausência de luz. Por si só, nenhum mal faz. Não oculta monstros devoradores- ao menos, não no quarto de dormir. O escuro só é perigoso na medida em que, pouco enxergando pela falta da luz, corremos certos riscos, como o de tropeçar em algum objeto, de cair em algum buraco e, aí, sim, existe a possibilidade de comprometimento de nossa integridade física. Diante de um problema como esse, basta tomar certos cuidados, e, uma vez que se tenha cautela, o medo irracional desaparece, porque é substituído pela atenção.

No método ericksoniano, por exemplo, a sugestão é dada de forma indireta. Desse modo, o paciente não se sente pressionado; pelo contrário, sente-se mais confortável e mais livre para aceitar a sugestão, seguindo o seu próprio ritmo para racionalizar seu problema- porque sugestões feitas de modo muito persuasivo podem atrapalhar, nada resolvendo ou o que é pior, atrasando os resultados e prejudicando ainda mais o paciente, porque a persuasão pode gerar ansiedade como resposta.

No estado de relaxamento do transe, o paciente é capaz de enfrentar os seus medos e de ver quanta energia está desperdiçando e quanto mal está fazendo a si mesmo- e esses fatos, sim, representam um perigo real para o equilíbrio de seu organismo e de sua mente. Durante o transe, o paciente tem acesso mais fácil ao seu inconsciente, sendo capaz de se conectar com ele, e é precisamente lá que costumam estar escondidas as raízes de seus medos. E nessa mesma escuridão de difícil acesso, onde se ocultam os medos, estão também nossas memórias, forças, nossos melhores recursos e nossas potencialidades. Relaxado e sendo capaz de pensar com racionalidade, o paciente percebe que está transformando um gatinho num tigre. Até mesmo um estímulo incômodo pode ser transformado em prazer.

Ao voltar do transe hipnótico, o paciente é capaz de se sentir mais confortável e confiante e, dessa maneira, lidar melhor com o objeto que lhe estimulava medo e suas sensações colaterais: insegurança, ansiedade, nervosismo. Às vezes, uma única sessão é suficiente, mas cada caso é um caso. O grande benefício que a hipnoterapia pode trazer é o de proporcionar uma vida sem todo o estresse provocado pelo medo. E uma existência sem medos e sem estresse, ou, no mínimo, com níveis baixos de estresse, já que os tempos modernos andam tão problemáticos e ninguém é de ferro, já nos situa na metade do caminho para a plenitude e a felicidade.