Como controlar a baixa estima utilizando a hipnose? Quais os benefícios?

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A baixa estima começa, de modo geral, na infância, quando uma criança recebe uma resposta negativa e depreciativa por uma ação que praticou. Ela faz alguma coisa, essa coisa não dá certo e ela é repreendida. Pode se instalar, nesse momento, uma má impressão (que é uma má programação mental) de que ela não sabe fazer nada, porque é boba, desajeitada, ansiosa, não é esperta, não tem inteligência etc.- por isso os pais devem ter paciência e muita cautela na hora de ensinar os filhos. Ou, então, ela, com os colegas, comete um erro e percebe que os colegas acertaram. É uma coisa natural, que pode acontecer a qualquer pessoa, mas essa criança não tem juízo crítico desenvolvido- nem um arcabouço de experiências- para perceber isso, e acaba formando uma má avaliação de si mesma. Esse julgamento precoce, superficial e severo pode condenar a criança a uma vida inteira de mal-estar e de tristeza.

Ser diferente também gera baixa estima. Normalmente, pelo menos até certa idade, a criança tem pouca noção sobre estética e sobre os padrões estéticos da sociedade e de que maneira essa sociedade na qual ela está inserida espera que o indivíduo se adeque.

Todo mundo é diferente e isso é perfeito. Iguais são os objetos fabricados em série. Objetos não são pessoas, não têm vida, não têm cultura, não têm sentimento. Porém, as pessoas que compõem a esfera social, em sua maioria, infelizmente, são muito preconceituosas com relação às diferenças.

A criança começa a perceber essa faceta cruel da sociedade quando começa a se socializar. Logo, ela pode sofrer bullying e ser olhada de um modo diferente porque está acima do peso, porque está abaixo, porque é mais alta ou mais baixa que os demais de sua idade, porque tem um traço fisionômico capaz de chamar a atenção como um nariz maior que a média, orelhas maiores, porque tem u sinal de nascença maior do que os da maioria ou em um formato diferente, porque seu cabelo não é liso, porque pertence a uma etnia de grupo minoritário na sociedade em que vive, porque possui alguma necessidade especial, porque é mais emotiva do que as outras pessoas com quem convive,  enfim, são muitas as diferenças que podem trazer embaraço e baixar a estima da criança.

Ela se retrai, fica tímida. Começa a fugir de situações em que tenha que ficar exposta a outras pessoas. Eventos sociais se transformam em “pesadelos sociais”. Fica nervosa, desenvolve ansiedade. Consequentemente, seu rendimento na escola cai. Ela perde o interesse em brincar e interagir de outras formas com outras crianças e adultos.

 O adolescente também pode desenvolver baixa estima e até pode-se dizer que, nessa faixa estaria, a situação pode adquirir uma gravidade maior, visto que o adolescente se encontra em fase de autoafirmação, tem necessidade de pertencer a algum grupo, de ser aceito e amado. Adultos também não estão livres de desenvolver uma baixa estima. Pode-se dizer que na velhice eles estarão mais expostos a isto, por causa de uma maior- e natural- fragilidade de seus corpos e mentes.

Um dos maiores estragos causados por esse mau juízo, por essa má programação mental é a culpa. A pessoa se sente culpada por errar ou por ser diferente, o que é um absurdo, na medida em que todo mundo erra e todo mundo tem diferenças entre si.  Essa ilusão chega ao cúmulo da pessoa sentir culpa de qualquer maneira, mesmo quando não erra, mesmo quando não faz nada de mau e essa ilusão costuma ser persistente, acompanhando o indivíduo. A nossa cultura infelizmente tem como um de seus grandes tabus a culpa, o que torna a luta contra essa resposta negativa algo bem difícil, mas que deve ser tentado a todo custo. É preciso ter em mente que ninguém pode carregar o mundo nas costas e resolver tudo, que todo mundo nasce num mundo que é naturalmente problemático e que uma pessoa só pode se sentir culpada do mal que ela efetivamente faz.

A hipnose trabalha com sugestões e com reprogramação mental.

Na hipnose, o sujeito é posto em transe, estágio em que ele consegue relaxar profundamente e ter um foco de atenção mais intenso. Ao mesmo tempo, a pessoa que está em transe hipnótico consegue ter um acesso mais fácil ao seu inconsciente, que é onde está a estação repetidora das más programações mentais, de onde a toda hora emergem os programas (comandos) negativos, depreciadores.

Como o sujeito participante da terapia está lúcido, relaxado e tranquilo para racionalizar, ele tem maior abertura e receptividade às sugestões do hipnoterapeuta. Com elas, o hipnoterapeuta pode fazer com que o paciente veja com clareza o que está errado, como está e como ele pode responder, com facilidade, positivamente aos estímulos negativos. Ele perceberá que, sim, é inteligente e capaz, e que não precisa ficar inseguro. Verá que é diferente como todos os seres humanos são entre si, que isso é algo natural, é um fato e não um problema que precise ser resolvido. O que precisa ser resolvido é o problema de se sentir diminuído pela diferença que se tem.

O terapeuta pode ajudar o sujeito a desenvolver a autoestima, o amor-próprio. Amando a si mesmo, o indivíduo se livrará das inseguranças e será capaz de ter interações sociais ricas e instrutivas, tal como elas devem ser.

Deixará de se esconder e de perder oportunidades de trabalho, de realização de desejos e sonhos, de trocar experiências, de conhecer novos lugares, de incrementar sua saúde- há pessoas que não praticam esportes porque tem vergonha de sua forma física, por exemplo- de amar com plenitude, sem medo.

O enfrentamento dos medos permitido pela experiência com a hipnose só traz benefícios. Entre nessa jornada e livre-se da pesada carga da baixa estima.