Meu filho pode ir a uma sessão de hipnose?

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Muitas pessoas que têm interesse na hipnose e outras que já são adeptas da terapia perguntam sobre a possibilidade de uma criança que tem problemas emocionais participar como paciente de uma sessão, isto é, de ser tratada pela hipnoterapia. As pessoas que desconhecem a hipnose e têm preconceitos por acreditarem em estereótipos negativos a respeito da hipnoterapia certamente encaram essa questão como um tabu. Se elas acham absurdo um adulto frequentar sessões de hipnose, por pensarem que a hipnoterapia não é de fato uma terapia, uma coisa séria, mas um tipo de espetáculo circense, de demonstração de festa, imagine com relação a crianças! Porém, isso é puro preconceito, uma bobagem, uma mistificação que precisa ser desfeita.

Como a hipnose não é medicina nem psicologia, trata-se de uma terapia auxiliar e, por isso, o hipnólogo não pode dar diagnósticos nem tratar de doenças mentais, é importante que a ideia dos pais de levar uma criança numa sessão de hipnose seja discutida com o pediatra dela. O que pode ser tratado na hipnose: traumas, fobias, ansiedade, estresse, hiperatividade, gagueira, agressividade, problemas de socialização (timidez, estranhamento, insegurança, baixa autoestima), falta excessiva de foco, problemas do sono, problemas da fala, maus hábitos, como fazer xixi na cama, roer unhas, arrancar cabelos, entre outros.

Nunca é demais repetir que é de extrema importância procurar por um profissional gabaritado, ainda mais se levando em consideração que o tratamento será aplicado numa criança,  ser cujo organismo ainda está em desenvolvimento e que possui um psiquismo extremamente frágil- pela mesma razão ligada aos cuidados com o organismo, que é a de estar em processo de desenvolvimento.

A resposta para a pergunta é afirmativa. Existe um consenso entre hipnoterapeutas de que as crianças podem receber tratamento pela hipnose a partir dos seis anos de idade. Na verdade, só existem limites de idade pelo fato de as crianças entre zero e seis anos possuírem dificuldades de concentração e por causa da maneira totalmente diversa dos adultos que as crianças têm de perceberem a realidade a sua volta. Logo, há a necessidade da utilização de técnicas diferenciadas, porque o contato entre o terapeuta e a criança, bem como a parceria estabelecida entre terapeuta e paciente, há de se dar, é claro, de modo diverso, especial.

A terapia, a partir dos seis anos, flui com maior facilidade. O estado de transe em que as crianças entram é mais leve do que o dos adultos.

Esse contato com a esfera da realidade é mais complexo entre zero e seis anos, até porque ele está sendo construído, pouco a pouco, conforma a criança vai apreendendo novas vivências e se ambientando na sociedade em que vive. É preciso levar em consideração, ainda, o desenvolvimento sensorial e emocional, que entre zero e seis anos está no começo, sendo, portanto, rudimentar. A criança nessa faixa etária está experimentando as emoções e aprendendo a lidar com elas. Por isso, elas têm pouco controle sobre as emoções. Não raro, elas não são capazes de entender precisamente o que estão sentindo e os porquês. Elas não conseguem se distanciar e separar as emoções. Como o raciocínio e a fala (a comunicação) ainda estão em construção, elas possuem certas dificuldades de expressar verbalmente aquilo que estão sentindo. É mais difícil para uma criança que está aprendendo a falar construir paralelos, de estabelecer pontos de ligação entre as diferentes coisas. O mesmo ocorre com relação aos cinco sentidos (audição, fala, visão, olfato e tato), que estão se desenvolvendo igualmente. Por tudo isso, o tratamento deve ser diferenciado do que é posto em prática com os adultos.

Como o lado lúdico é forte e a criança vive com um pé fincado no mundo das fantasias, as brincadeiras, os jogos e as metáforas podem ser excelentes ferramentas de que o hipnoterapeuta pode lançar mão para entrar em um contato mais estreito com o universo infantil e auxiliar a criança a identificar o que a está perturbando e ajudá-la a criar o hábito de compreender o que se passa e o que ela pode fazer para modificar os quadros, através de sugestões. De nada adiantaria o terapeuta criar uma sugestão sobre a qual a criança nada entenderá. A sugestão pode ser aplicada, por exemplo, como um jogo interativo. O terapeuta pode usar como recursos histórias, lendas, faz de conta, criar junto com a criança personagens como heróis com superpoderes, vilões, fazendo sempre com que a criança seja capaz de estabelecer comparações, criar laços entre o mundo da imaginação e o mundo real, entre medos e problemas imaginários e problemas do mundo real.

As crianças, por serem mais curiosas e mais abertas a novidades, além do fato de não possuírem prenoções e estarem contaminadas por estereótipos, possuem uma receptividade maior às sugestões do terapeuta. Isso pode fazer com que as chances de sucesso da terapia sejam maiores e pode, igualmente, acelerar o processo. É claro que cada caso é um caso, sendo por isso leviano estabelecer qualquer determinismo, mas o número de sessões necessárias está compreendido entre uma e vinte.

Há dois tipos de abordagem na hipnoterapia bastante comuns. A ericksoniana, na qual o terapeuta trabalha com a imaginação infantil, e a hipnopedia, na qual o tratamento é feito durante o sono. Portanto, se você tinha muitas dúvidas e, por isso, receio de levar seu filho a uma sessão de hipnose, não precisa mais se preocupar. Antes, não se esqueça de conversar a respeito disso com o pediatra de seu filho. A partir desse ponto, faça uma pesquisa sobre bons profissionais.