Sabotando o meu crescimento

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Jean-Paul Sartre dizia que “O inferno são os outros”. Essa máxima tem seu fundo de verdade, visto que vivemos numa espécie de rede de relacionamentos e que também não somos totalmente independentes, pelo simples fato de que não sabemos fazer tudo. Não somos completos. Precisamos de outras pessoas para muita coisa.

Existe, porém, um inimigo oculto, que está muito próximo de nós, sempre alerta e pronto para criar barreiras e nos sabotar, de variadas maneiras. Este inimigo, por incrível que pareça, somos nós mesmos. Nós somos responsáveis por criar esse intrépido, impiedoso e cruel monstro devorador de planos bem-sucedidos.

Este inimigo costuma ficar tão oculto, fazendo uso de mecanismos de defesa do nosso próprio subconsciente, que nós chegamos a pensar que a raiz de determinado problema está no exterior, além de nós, em outros atores ou dentro do contexto social em que estamos inseridos.

Você, em algum momento, já deve ter entrado em contato com aquela famosa imagem de uma pessoa com duas figuras em cada ombro. De um lado, está um anjo, dando bons conselhos e estimulando a pessoa. Do outro, está um diabinho, incutindo maus pensamentos, mentiras, erros, levando a pessoa à ilusão, ao engano e a desestimulando. O sabotador é justamente esse diabinho, que vive fazendo com que você caia em armadilhas mentais.  E ele é você mesmo, ou, pelo menos, parte de você.

Duas questões podem ser colocadas, para início de conversa: o que faz com que criemos esse monstro sabotador e de que forma nós o alimentamos?

Alguns sentimentos podem ser responsáveis, não só pela gênese desse sabotador, como pela manutenção de sua “existência”, porque determinados sentimentos servem como alimento.

Medo

Um deles é o medo. Enquanto o medo é apenas um instinto de preservação que o impede de colocar a sua integridade física em risco está tudo bem. Quando esse medo começa a crescer demais, e fica exagerado, começam os seus problemas. Por que razão? Por que o medo paralisa: ele impede que você dê passos, tome atitudes, porque sente medo das consequências daquilo que você fará. Sendo exagerado, o medo é uma sabotagem. É preciso ser bastante racional. Para isso, é preciso ter calma: diante de um problema, respire fundo. Pense, com bastante tranquilidade, no que você pode fazer, com que ferramentas você pode contar para solucioná-lo. Mantenha o seu foco no problema atual e mais urgente. Deixe para pensar nos demais problemas depois, até porque não existe fórmula que possa ser aplicada em tudo. Cada caso é um caso.

Se for o caso, procure ajuda. Lembre-se de que duas cabeças geralmente pensam melhor do que uma. Pessoas que estão de fora e, portanto, não estão envolvidas no problema, podem sugerir boas soluções. Outras visões e outras experiências podem ajudá-lo na solução de problemas.

Timidez

Não se sinta intimidado por ter que pedir ajuda. Não há nada demais nisso e a timidez também pode funcionar como um tipo de sabotagem.

Falta de confiança

Tenha confiança. Confie em suas habilidades, e em todo o conhecimento que você adquiriu na sua caminhada. Ninguém sabe tudo e tudo aquilo que não se sabe pode ser aprendido. Nunca é tarde para aprender coisas novas.

Síndrome do impostor

Outra sabotagem que faz com que você não se ache merecedor de benefícios no seu mundo escolar, acadêmico, corporativo e mesmo em outras áreas de sua vida pessoal. Você cria a ideia-evidentemente ilusória- de que você é um impostor, que logo será descoberto e que isso fará com que você perca seu curso, seu emprego ou qualquer outro direito ou benefício que você conquistou. Isso é um absurdo. Seria um extremo da falta de confiança.

Procrastinação

Com o medo bem instalado e crescido, você passa a deixar as coisas para depois. Adiar é um bom modo de não ter que encarar os problemas. Cria-se a ilusão de que o momento não é bom, de que você ainda não está preparado para enfrentar tal coisa etc. Porém, não existe momento ideal. O melhor momento é o agora. Vai chegar uma hora em que você não poderá mais adiar a sua tomada de atitude e será pior. Além do mais, existe a possibilidade de surgirem outros compromissos, outros problemas e você se verá numa situação de acúmulo. Você vai acabar se sentindo sobrecarregado, cansado e o estresse estará batendo a sua porta. Não há nada pior do que ter que resolver problemas com a mente estressada. Existe um risco de você entrar em colapso.

Culpa

Culpa é um fator característico de nossa formação ocidental. É muito comum nos sentirmos culpados por coisas que efetivamente não podemos resolver. A culpa é uma das grandes armadilhas mentais, uma grande ferramenta de sabotagem de auto sabotagem. É preciso ter cautela. Tenha em mente que você só é culpado daquilo que você faz ou por eventuais omissões- ou seja, aquilo que você deveria fazer, não faz, e que gera consequências. Você não pode, por exemplo, culpar-se pelas infelicidades do mundo, porque você já nasceu nesse contexto. Você pode fazer a sua parte para ajudar nas mudanças. O que não pode é carregar, sozinho, o peso do mundo em seus ombros.

Se você quer ter uma vida cheia de sucesso e de harmonia, não perca tempo. Descubra esse diabinho que está no seu ombro e trate de exorcizá-lo. Caso você não possa fazer isso sozinho, busque o auxílio de colegas, amigos, familiares e de um profissional.