Timidez, como mudar esse perfil?

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A timidez é bastante comum, muito mais do que se pensa. Ela atinge pessoas de todas as culturas, etnias, religiões e posições sociais. Até mesmo artistas, que estão expostos ao público e à mídia o tempo todo e são obrigados, por força de sua atividade, a se exibir, podem ser tímidos na intimidade, fora dos palcos e dos noticiários, distantes das personagens que constroem. No entanto, a timidez pode atrapalhar, e muito, o desenvolvimento de qualquer pessoa na esfera social, principalmente no mundo do estudo e do trabalho. Por isso, é preciso estar atento a esta questão.

Ser tímido é viver engessado. A pessoa tímida fica travada, presa a uma inércia. Deixa de agir porque sente medo a respeito de como suas ações serão vistas e julgadas. Há pessoas que, ao ter que visitar um lugar que pouco conhecem ou que não conhecem, têm vergonha de pedir informações sobre onde ir, como chegar, e perdem tempo, minutos preciosos, ao procurar, ao tentar achar por si mesmas, sem uma ajuda que poderia resolver o problema de forma rápida. Outras pessoas tímidas também se sentem envergonhadas de perguntar a localização de um produto numa loja ou num supermercado. É algo tão simples. Tenha em mente que a outra pessoa que vai lhe dar a informação não vai lhe julgar apenas por isso, principalmente, se essa pessoa for um profissional cuja atividade é, justamente, dar informações.

Se o x da questão é o receio do riso dos outros, pense no absurdo desse medo do “riso” alheio. Uma coisa muito importante é não se levar tão a sério. Aprenda a rir de si mesmo. Todas as pessoas são capazes, uma vez ou outra, de cometer atitudes risíveis. É normal.

A timidez, grosso modo, é o medo de ser julgado pelo outro. Ela somente ocorre numa esfera de interação social. Ninguém é tímido ou sente timidez quando está só: apenas diante de outras pessoas, principalmente, de pessoas com quem se tem pouca intimidade: o tímido, de modo geral, costuma ficar mais à vontade entre seus familiares e amigos, e também em ambientes conhecidos (que para o tímido são mais confortáveis), porque, diante dessas pessoas, costuma se sentir mais à vontade e, portanto, mais seguro.

O primeiro- e grande- passo para a mudança é a chave da questão: é ter em mente que o medo do julgamento alheio é uma grande bobagem. Todo mundo julga e é julgado. É algo inevitável. Faz parte da natureza humana. Você também julga, não? Pense nisso. O inferno, como dizia Sartre, nem sempre são os outros.

 O problema é que, na cabeça do tímido, ele está sendo observado e julgado ininterruptamente, em qualquer lugar que vá, diante mesmo da mínima interação social, como passar na rua próximo a um grupo de pessoas. A coisa chega a se transformar numa paranoia. O tímido imagina um verdadeiro filme em sua cabeça. Pode pensar, em alguns casos, que, além de as pessoas o estarem julgando, estão debochando, rindo. O fato é que esse tipo de julgamento costuma ocorrer internamente, ou seja, as pessoas costumam julgar mentalmente, sim, mas não têm o costume de expor tais juízos. Quando esses julgamentos são expostos, o são diante de pessoas que estão no círculo delas. Logo, na maioria dos casos, você nem tem como saber se está sendo julgado ou não e, não raro, não está sendo. É uma grande ilusão. Preste atenção. Comece a observar ao seu redor. Você certamente há de perceber que, na maioria dos casos, as pessoas nem mesmo estão olhando para você. Outro ponto: a preocupação demasiada com a ideia de estar sendo observado e julgado, de estar exposto, acaba fazendo com que você fique, de fato, exposto, porque vai tirar sua naturalidade e fazer com que você aja de forma estranha. Aí, sim, os outros vão acabar notando a sua presença e vão estranhar. Por quê? Porque você está, mesmo sem querer, se expondo.

 É preciso perder esse medo, desligar-se dessa má impressão. Não ligue para o que eventualmente as outras pessoas estarão pensando de você ou do que você faz. Só você sabe as razões de você agir de uma maneira ou de outra. Cada um sabe de si. Cada um no seu quadrado, como diz o ditado. O juízo de outras pessoas não deve influenciar e, muito menos, comandar a sua vida. É preciso ter independência, tanto de pensamento, como de ação.

As piores consequências da timidez, as mais graves e que podem acompanhar o indivíduo por toda uma vida, estão no mundo corporativo (na verdade, a timidez começa lá atrás, nos tempos da escola e começa a ter efeitos prejudiciais já nesse período). O tímido costuma perder grandes oportunidades no trabalho, porque se retrai, evita mostrar suas opiniões e posicionamentos, mesmo quando sabe que tem coisas relevantes a mostrar, quando é chamado a fazê-lo. Quando pode, chega ao ponto de fugir ou se esconder. Cria desculpas- é claro que isso acontece no limite, mas os limites acontecem. Isso vem a ser um grande erro, porque é fato que as pessoas mais ousadas, despojadas e desinibidas são as que conseguem as melhores oportunidades profissionais; são elas que ascendem profissionalmente com maior rapidez. E, muitas vezes, elas são menos capazes e tem menos conhecimento ou experiência do que o tímido que teve medo de se revelar. É necessária nesses casos uma injeção de confiança também: é preciso confiar em si mesmo. Não tenha medo de dar sua opinião, de mostrar o seu ponto de vista. É possível que ninguém tenha visto uma determinada questão do modo como você vê ou viu. Tenha coragem para mudar. A timidez é como uma roupa apertada. Deixe-a de lado e amplie seus horizontes.